Tabela periódica

Néon (Ne)

Howard Birdsong Compilado a partir de fontes primárias IUPAC, NIST e PubChem

O néon é o elemento 10, de símbolo Ne, configuração eletrónica [He] 2s² 2p⁶ e massa atómica padrão 20,1797 u. É um gás nobre inerte, o segundo mais leve do grupo, e não forma nenhum composto conhecido em quaisquer condições.

Como se descobriu em três semanas?

Em maio de 1898, William Ramsay e Morris Travers trabalhavam no University College de Londres com ar liquefeito. Ramsay tinha isolado o árgon em 1894 com Lord Rayleigh e suspeitava da existência de outros gases do mesmo tipo.

O método era a destilação fracionada: liquefazer o ar e deixá-lo evaporar aos poucos, recolhendo as frações à medida que fervem a temperaturas distintas. Cada fração era examinada com um espetroscópio.

A 30 de maio obtiveram o crípton da fração menos volátil. Nas semanas seguintes, ao examinar a fração mais volátil — a que ferve antes do árgon —, encontraram um gás cujo espetro mostrava um brilho vermelho intenso que Travers descreveu como impossível de esquecer. Chamaram-lhe néon, do grego neos, novo.

Em julho, de uma fração intermédia, isolaram o xénon. Três elementos em pouco mais de dois meses, todos pelo mesmo método e todos de uma coluna da tabela periódica que não existia quatro anos antes.

Ramsay recebeu o Nobel da Química em 1904.

O que significa a configuração [He] 2s² 2p⁶?

A segunda camada completa: dois eletrões na orbital 2s e seis distribuídos pelas três orbitais 2p. Oito eletrões de valência, o octeto que dá nome à regra.

Essa configuração é o objetivo para o qual tende toda a química do segundo período. O sódio cede um eletrão e adquire a estrutura do néon; o flúor capta um e chega ao mesmo; o oxigénio capta dois. A estabilidade do néon é a referência que explica o comportamento dos seus vizinhos.

A sua energia de ionização, 2 081 kJ/mol, é a segunda mais alta da tabela a seguir à do hélio. A sua afinidade eletrónica é praticamente nula: acrescentar-lhe um eletrão exigiria começar a camada n=3, muito afastada do núcleo e sem benefício energético.

Nenhuma das duas vias para uma ligação está aberta, e daí que o néon seja o elemento mais inerte que se conhece. O xénon, muito maior, retém os seus eletrões externos com menos força e forma compostos com flúor e oxigénio desde 1962. Com o néon ninguém o conseguiu.

Por que brilham os tubos e de que cor?

Um tubo de néon contém o gás a baixa pressão, na ordem dos 10 milibares, com um elétrodo em cada extremidade. Ao aplicar alguns milhares de volts, os eletrões acelerados chocam com os átomos e transferem-lhes energia.

O eletrão excitado do átomo sobe a um nível superior e volta a cair quase de imediato, emitindo um fotão cuja energia é exatamente a diferença entre os dois níveis. Como esses níveis são fixos e próprios de cada elemento, a cor também o é.

O néon emite um conjunto de riscas concentradas no vermelho e no laranja, entre 585 e 703 nanómetros. O resultado é o vermelho alaranjado inconfundível que se vê nos reclamos antigos.

Essa cor é a única que o néon produz. Um reclamo azul contém árgon com uma gota de mercúrio; o mercúrio emite no ultravioleta e no azul. Um reclamo verde é habitualmente árgon e mercúrio dentro de um tubo revestido de fósforo, que converte o ultravioleta na cor desejada.

Georges Claude apresentou o primeiro tubo de néon no Salão Automóvel de Paris em dezembro de 1910, e a sua empresa dominou o mercado durante décadas.

Que papel tem no fabrico de microchips?

Um que quase ninguém associa ao néon, e que consome a maior parte do gás de alta pureza produzido.

A litografia de semicondutores emprega lasers excímeros. Um laser de fluoreto de árgon emite a 193 nanómetros, no ultravioleta profundo, e esse comprimento de onda determina o tamanho mínimo dos detalhes que podem ser gravados numa bolacha de silício.

A mistura de gás desses lasers é em mais de 95 % néon, que atua como gás tampão: não participa na emissão mas controla a pressão e a transferência de energia dentro da cavidade. Um único equipamento de litografia consome centenas de litros por ano, e a pureza exigida é extrema.

A cadeia de abastecimento estava concentrada de forma perigosa. O néon bruto era obtido como subproduto de siderurgias russas e purificado na Ucrânia, que chegou a fornecer cerca de metade do néon de grau semicondutor do mundo. A guerra iniciada em 2022 interrompeu essa produção e multiplicou os preços, obrigando a indústria a procurar fontes alternativas.

Por que é tão raro aqui e tão abundante lá fora?

O néon é o quinto elemento mais abundante do universo em massa, depois do hidrogénio, do hélio, do oxigénio e do carbono. Forma-se no interior das estrelas maciças por captura de partículas alfa sobre o oxigénio 16.

Na crosta terrestre é praticamente inexistente, e na atmosfera representa 18 partes por milhão.

A causa é a sua inércia. Durante a formação do sistema solar, os elementos capazes de se combinarem ficaram retidos em minerais sólidos: o oxigénio em silicatos, o carbono em carbonatos, o ferro no núcleo. O néon não se ligou a nada e permaneceu como gás livre, exposto ao vento solar e à agitação térmica de uma Terra jovem e quente.

Com uma massa atómica de 20, um átomo de néon escapa com menos facilidade do que o hidrogénio ou o hélio, mas a perda ocorreu sobretudo antes de o planeta arrefecer.

Curiosamente, a proporção isotópica do néon atmosférico difere da do néon solar, e essa diferença serve para estudar como a Terra perdeu a sua atmosfera primitiva.

Dados essenciais

Z
10
Atomic weight
20.18 u
Category
gás nobre
State at 298 K
Gas
Occurrence
primordial
Discovered
1898
CAS
7440-01-9

Propriedades medidas

PropertyValueSource
Melting point 24.56 K National Center for Biotechnology Information (NIH)
Boiling point 27.07 K National Center for Biotechnology Information (NIH)
Density stp 0.001 g/cm³ National Center for Biotechnology Information (NIH)
Atomic radius empirical 154 pm National Center for Biotechnology Information (NIH)
Ionization energy 1st 2,080.7 kJ/mol National Center for Biotechnology Information (NIH)

Configuração eletrónica

2 8 Ne
Noble gas notation
[He] 2s² 2p⁶
Full notation
1s² 2s² 2p⁶
Electrons per shell
2, 8

Isótopos

Perguntas frequentes

Todos os reclamos de néon contêm néon?

Não. O néon produz apenas o vermelho alaranjado característico. As outras cores provêm de outros gases ou de revestimentos: o árgon com uma gota de mercúrio dá azul, o hélio dá um rosa pálido, o crípton um branco acinzentado. O verde e o amarelo obtêm-se com fósforos depositados no interior do tubo. Num reclamo multicolor, talvez só o vermelho seja néon a sério.

Por que é que o néon é tão raro na Terra se abunda no universo?

Porque não se combina com nada. Os elementos que formam compostos ficaram retidos em minerais quando a Terra se formou; o néon permaneceu gasoso e perdeu-se no espaço durante as primeiras fases do planeta. Hoje representa cerca de 18 partes por milhão da atmosfera, ao passo que no universo é o quinto elemento mais abundante em massa.

Pode o néon combinar-se com alguma coisa?

Não se conhece nenhum composto estável de néon, e é o único elemento sobre o qual isso se pode afirmar com tanta firmeza. O xénon forma fluoretos e óxidos, o crípton forma difluoreto, até o árgon tem o HArF a temperaturas muito baixas. O néon resiste porque a sua energia de ionização é alta e o seu átomo demasiado pequeno para acomodar a carga que uma ligação exigiria.

De onde vem o néon industrial?

Do ar, e apenas do ar. Obtém-se por destilação fracionada de ar liquefeito, um processo caro porque é preciso tratar volumes enormes para recuperar 18 partes por milhão. Boa parte da capacidade mundial de purificação estava concentrada na Ucrânia, o que em 2022 provocou uma crise de abastecimento para a indústria de semicondutores.

Fontes